Mulheres que fizeram da pausa um compromisso

Líderes compartilham os rituais que as ajudam a desacelerar e a exercer uma liderança mais equilibrada

Uma pesquisa da Asics com a King’s College London, chamada “Desk Break”, revelou que realizar apenas 15 minutos de pausa para se movimentar no meio de um dia de trabalho melhora em 22,5% o estado mental do profissional. Os pesquisadores, liderados pelo professor Dr. Brendon Stubbs, reuniram trabalhadores de 16 países que costumam passar muito tempo no ofício para um experimento. Após três ou quatro horas de trabalho sem intervalos, eles precisavam fazer 15 minutos de exercícios. E os resultados foram surpreendentes.

O estudo indicou que fazer uma pausa diária durante uma semana de trabalho reduziu os níveis de estresse em 14,7%, aumentou a produtividade em 33,2% e melhorou o foco em 28,6%. Além disso, houve uma melhora dos níveis médios de confiança em 13,3% e uma redução dos níveis de ansiedade em 12%. Com apenas 15 minutos. Mas a realidade é que muitas pessoas ainda passam horas a fio sentados na frente do computador trabalhando.

Já a pesquisa State of Mind, também da Asics, identificou que o estado mental das pessoas que não se exercitam no Brasil é de 55 pontos. Já as pessoas ativas fizeram 14 pontos acima, 69. As mulheres brasileiras têm uma média de 61 pontos e se exercitam, em média, 135 minutos por semana. Entre os homens, o índice de estado mental é de 68 e eles se exercitam uma média de 180 minutos.

Esses números revelam uma realidade das mulheres brasileiras. Mais sobrecarregadas, elas têm menos horas para se exercitar e estão com a saúde mental mais prejudicada. A pausa, muitas vezes, é praticamente impossível de se realizar em meio a uma rotina que equilibra trabalho, casa, família, e quando possível, amigos e lazer. O que deveríamos entender, no entanto, é que a pausa é tão essencial quanto o trabalho em si.

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Pausas para alimentar o espírito

Tempo com a família e suas origens também entram aqui como maneiras de relembrar quem se é por dentro. “Desacelero nos momentos que mais me conectam ao que realmente importa: o tempo com a minha filha e minha família, as viagens e, principalmente, o mar da Bahia, meu refúgio e minha fonte de inspiração. É diante dele que me reconecto com a minha espiritualidade, encontro paz, clareza e a energia necessária para viver e liderar melhor”, diz Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil.

Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil (Crédito: Divulgação)

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Matéria completa publicada no Meio & Mensagem.

 

Do MasterChef ao Porta dos Fundos: a ‘economia da experiência’ chegou às telas — e vale US$ 465 bi

Endemol, Elo Studios e Porta dos Fundos investem em eventos, clubes e encontros ao vivo para transformar espectadores em participantes ativos de suas comunidades

Da tela para o mundo real: produtoras e marcas de entretenimento apostam em experiências presenciais para ampliar engajamento e novas fontes de receita. (Ilustração feita por IA/Exame)
Da tela para o mundo real: produtoras e marcas de entretenimento apostam em experiências presenciais para ampliar engajamento e novas fontes de receita. (Ilustração feita por IA/Exame)

Experiências imersivas inspiradas no reality de gastronomia MasterChef, espetáculos multimídia em espaços históricos e sessões de cinema acompanhadas por debates são alguns exemplos de como empresas como a Endemol Shine Brasil e a Elo Studios passaram a investir em ações presenciais para aproximar suas marcas e conteúdos do público.

O movimento acompanha uma tendência global que vem transformando a forma como o entretenimento se relaciona com suas audiências, levando experiências antes restritas às telas para espaços físicos e encontros presenciais.

A estratégia ganhou força nos últimos anos com a valorização da chamada “economia da experiência”, conceito que prioriza a participação direta do consumidor em atividades ligadas a marcas, produtos e conteúdos. No setor de entretenimento, a mudança tem impulsionado investimentos em atrações imersivas, eventos temáticos, festivais, encontros com fãs e ações exclusivas para comunidades de espectadores.

Os números ajudam a explicar o avanço desse mercado. A indústria global de entretenimento ao vivo foi avaliada em cerca de US$ 465,9 bilhões em 2024 e deve ultrapassar US$ 1,1 trilhão até 2032, segundo um levantamento da companhia de benefícios Collinson International. O crescimento é atribuído à retomada das atividades presenciais após a pandemia, ao aumento da procura por experiências físicas e à integração entre ambientes digitais e presenciais.

Empresas de mídia e produtoras passaram a enxergar essas iniciativas como uma extensão natural de suas propriedades intelectuais. Em vez de limitar a experiência ao consumo de um programa, filme ou conteúdo digital, a estratégia busca criar pontos de contato capazes de transformar espectadores em participantes ativos de uma comunidade.

A Endemol Shine Brasil é uma das companhias que ampliaram sua presença nesse segmento. A produtora tem apostado em experiências ao vivo, sensoriais e imersivas a partir da estrutura e do conhecimento adquiridos na produção audiovisual.

Entre os projetos está o “Banijay Apresenta”, plataforma voltada para shows, festivais e eventos realizados nos estúdios da empresa.

Segundo Fernanda Abreu, Vice-presidente de Entretenimento ao vivo, Licenciamento e Marketing de Influência da Endemol Shine, a aposta no entretenimento ao vivo representa uma evolução natural do modelo de negócio da companhia. E no Brasil, o cenário é bastante atrativo para investimentos.

LUMINISCENCE – Luzes de São Paulo: espetáculo imersivo realizado na Catedral da Sé (Divulgação)

“A Banijay, globalmente, já vem fortalecendo a divisão Banijay Live como um braço estratégico de crescimento, ampliando o ciclo de vida das propriedades intelectuais e criando novas fontes de receita”, explica a executiva em entrevista à EXAME. “No país, enxergamos uma combinação muito favorável: marcas fortes, um público ávido por experiências presenciais e um mercado que amadureceu bastante, valorizando encontros, cultura e eventos imersivos”.

Outro produto da companhia é o LUMINISCENCE – Luzes de São Paulo, espetáculo imersivo realizado na Catedral da Sé. A atração já alcançou mais de um milhão de pessoas em países como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha e Estados Unidos antes de chegar ao Brasil.

A empresa também inaugurou o MasterChef – The TV Experience, restaurante temático localizado no interior paulista. O espaço reproduz elementos do reality culinário e permite que os visitantes vivenciem referências do programa em um ambiente físico.

“O que nos chama atenção é a qualidade da conexão com o público. São experiências que geram pertencimento, compartilhamento orgânico, desejo de repetição. O entretenimento ao vivo tem essa força: ele cria memória. E memória é um ativo poderosíssimo para qualquer marca. Percebemos também uma receptividade muito positiva do mercado e dos parceiros comerciais, que enxergam nessas iniciativas uma forma sofisticada e emocional de se conectar com seus consumidores”.

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Matéria completa publicada na Exame.

 

O modelo de negócio do entretenimento mudou do tamanho da audiência para a profundidade do pertencimento

Diretora de Comunicação e Marketing da Endemol Shine Brasil
Diretora de Comunicação e Marketing

Há algumas semanas, folheando conversas que tive ao longo dos anos com executivos de entretenimento, percebi uma frase que se repetia, de formas diferentes, em quase todas elas: “preciso aumentar minha audiência.”

Nunca: “preciso aprofundar minha audiência.”

Essa distinção parece simples, mas diz muito sobre como o mercado ainda pensa. E foi exatamente essa tensão que começou a me incomodar de verdade. Porque, quando olho para os projetos que realmente duram, a lógica é outra.

O que fica claro, quando você para para observar, é que estamos diante de uma virada que não é apenas de comportamento de consumo. É uma virada na forma como o valor é gerado dentro da indústria.

Durante muito tempo, o modelo foi construído sobre distribuição. Quanto maior o alcance, maior o poder. Mas o alcance, por si só, nunca gerou pertencimento. E é o pertencimento — não a audiência — que sustenta um negócio ao longo do tempo.

Comecei a enxergar isso com mais nitidez quando passei a observar o que diferencia os projetos que duram daqueles que explodem e somem. Os que duram raramente são os que chegaram primeiro ou os que tiveram o maior orçamento de mídia. São os que conseguiram fazer com que as pessoas sentissem que faziam parte de algo, e que voltassem por vontade própria.

Esse movimento não é novo para quem trabalha com entretenimento há anos. Mas chegou a um ponto de maturidade em que precisa ser tratado como estratégia, não como consequência natural de um bom produto.

Hoje, os projetos mais relevantes da indústria são construídos com uma lógica que se aproxima da de um showrunner: há uma narrativa central, formatos que se repetem e evoluem, rituais que o público reconhece e antecipa, e espaços — digitais e físicos — onde a comunidade existe para além do momento da exibição. Cada plataforma cumpre um papel dentro de um ecossistema maior, e o público não é apenas destinatário desse conteúdo. Ele é parte constitutiva dele.

É uma mudança de mentalidade profunda. Sair da lógica do produto — que se esgota após a entrega — e entrar na lógica da plataforma de experiência, que se retroalimenta com o tempo.

E o que mais me chama a atenção nessa transição é que ela altera a pergunta central do negócio. Por muito tempo, o mercado se organizou em torno de uma métrica: quantas pessoas assistiram? Era uma pergunta legítima quando o modelo dependia de publicidade por volume, de bilheteria por sessão, de audiência por episódio.

Mas essa questão não captura o que realmente sustenta um projeto ao longo do tempo. Não mede o quanto as pessoas se identificam com aquele universo. Não mede o quanto elas voltam, recomendam, defendem, constroem identidade a partir dali.

A pergunta que começa a reorganizar o setor é outra: quantas pessoas querem fazer parte?

Não é algo  sobre alcance. É sobre relevância. Sobre o espaço simbólico que um projeto ocupa na vida das pessoas. E é justamente nesse espaço — entre conteúdo, experiência e comunidade — que os modelos de negócio do entretenimento estão sendo reescritos.

Para marcas, produtoras e criadores, a oportunidade está em começar a projetar dessa forma desde o início. Não como produto que será lançado, mas como universo que será habitado.

Porque a audiência que apenas assiste pode ir embora na próxima semana. A comunidade que sente que pertence tende a ficar — e a trazer outras pessoas junto.

Artigo publicado em Mundo do Marketing.

NANI FREITAS: “O FORMATO VERTICAL NÃO É UMA ADAPTAÇÃO DA TELENOVELA TRADICIONAL, É UMA NOVA LINGUAGEM”

CEO da Endemol Shine Brasil reflete sobre a demanda e o crescimento de conteúdo vertical no país, afirmando que a construção sólida de sua narrativa é o que garantirá a evolução do formato.

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Há pouco mais de um mês, duas produtoras brasileiras que fazem parte do grupo Banijay Americas uniram forças para criar microdramas em formato vertical, voltados especificamente para o ecossistema mobile, plataformas digitais e projetos de marca. A Señal News conversou com Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil , que detalhou a aliança com a A Fábrica e definiu a estratégia de produção de conteúdo e construção narrativa para o formato vertical .

Após o acordo entre a Endemol Shine Brasil e a A Fábrica para a produção de microdramas verticais, qual estratégia será implementada para esse desenvolvimento?
– “Nossa estratégia consiste em estruturar uma produção contínua e escalável de microdramas verticais, concebida para o consumo em dispositivos móveis. A proposta é desenvolver séries nativas para telas verticais, com linguagem e ritmo próprios, em colaboração com as principais plataformas e marcas. Nosso objetivo é combinar a agilidade do modelo de produção com a qualidade narrativa para oferecer histórias curtas, dinâmicas e seriadas que se conectem aos novos hábitos de consumo.”

Qual será a contribuição de cada parte neste acordo?
– “A aliança foi concebida de forma complementar: a Endemol Shine Brasil assume a produção executiva dos projetos e lidera as negociações com marcas e plataformas, contribuindo com seu conhecimento de mercado, escalabilidade e experiência em entretenimento multiplataforma. A Fábrica fica responsável pela criação e desenvolvimento dos roteiros de ficção, aplicando sua experiência em dramaturgia para garantir histórias bem construídas e relevantes para este novo formato.”

Como você analisa a demanda e o crescimento do conteúdo vertical no Brasil?
– “A ascensão do conteúdo vertical no Brasil reflete diretamente um mercado com consumo cada vez mais focado em dispositivos móveis. O público busca histórias dinâmicas, envolventes e fáceis de acompanhar, que retratem o cotidiano. Essa tendência já está sendo abraçada pelos principais veículos e plataformas de mídia, reforçando o fato de que o investimento em microdramas é uma tendência crescente no consumo audiovisual do país.”

Como a experiência da Endemol Shine Brasil com a TeleKwai e conteúdo de marca contribui para fortalecer a nova proposta?
– “A experiência anterior com microdramas para a TeleKwai foi fundamental para a compreensão da lógica de produção, distribuição e participação no formato vertical. Além disso, o desempenho consistente da Endemol Shine Brasil em conteúdo de marca proporcionou importantes lições sobre a integração orgânica de marcas em narrativas sem comprometer o entretenimento. Esse repertório fortalece a aliança com A Fábrica, combinando dramaturgia com projetos viáveis ​​e atraentes para o mercado publicitário.”

Quais são os principais aspectos para que a dramaturgia vertical adquira uma linguagem própria?
– “O fundamental é respeitar que o formato vertical não é uma adaptação da telenovela tradicional, mas sim uma nova linguagem. Isso implica episódios mais curtos, narrativas diretas, personagens com os quais o público se identifica e conflitos claros desde o início. Também é essencial considerar o ritmo, o enquadramento e o desenvolvimento da história para que faça sentido para quem a consome em seus celulares, muitas vezes em momentos fragmentados do dia. Além disso, definir as premissas que sustentam os orçamentos e os cronogramas de filmagem, como a quantidade e o tipo de locações e o número de dias de filmagem, é fundamental. A construção sólida da narrativa é o que garante que o formato evolua de uma tendência para um pilar consistente de conteúdo.”

Entrevista publicada em SeñalNews.

 

 

 

SXSW 2026: quando o conteúdo vira presença

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Fernando Contreras, é diretor da Endemol Live

Ouvi de várias pessoas experientes do South by Southwest que, quando foram pela primeira vez, foram “picadas pelo bichinho do SXSW”. Achei curiosa essa expressão. Mais curioso ainda foi perceber que ela vinha de gente muito diferente, mas que hoje tem uma relação profunda com o festival.

Ir ao SXSW pela primeira vez realmente não é simples. Um evento dessa dimensão, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, não é fácil de entender logo de cara, nem para quem já está acostumado com grandes encontros. Em 2026, foram mais de 3.700 eventos em sete dias, incluindo mais de 850 sessões de conferência, cerca de 4.400 músicos, mais de 375 filmes e produções de TV, 450 marcas com ativações, além de centenas de encontros de networking, mentorias e shows. Pela primeira vez em 40 anos, os festivais de Inovação, Filme e TV, Música e Comédia aconteceram simultaneamente, concentrados em uma única semana. Mais compacto, mais diverso, mais democrático e mais descentralizado. Espalhado pela cidade inteira. O tema do ano, “All Together Now”, parecia fazer ainda mais sentido quando se vivia tudo isso na prática.

Caminhando por Austin, essa sensação ficava ainda mais evidente. Entre casas antigas de madeira, diversos canteiros de obra, prédios novos subindo, bicicletas, patinetes, pedestres, carros autônomos, restaurantes tradicionais e hotéis de luxo, a cidade parecia vibrar em várias frequências ao mesmo tempo. A música vinha dos bares, dos palcos e, às vezes, da própria rua. E, a cada dia, Austin ia sendo tomada por pessoas com badges pendurados no pescoço, indo de um lugar para outro como se o evento estivesse em toda parte. Sem o centro de convenções disponível este ano, o SXSW ganhou outra personalidade. Ele se espalhou. E, espalhado, parecia ainda mais vivo. Andando por ali, dava para sentir o evento pulsando como um organismo.

Foi justamente aí que, para mim, começou a ficar clara uma das grandes mensagens do SXSW 2026. O futuro do entretenimento, das marcas e da cultura não está apenas em produzir conteúdo. Está em criar experiências ao vivo que gerem presença, participação e conexão real. No fundo, o que estava em jogo ali era o valor crescente do IRL — do encontro real, presencial e compartilhado. O SXSW não foi só o lugar onde isso foi discutido. Ele próprio encarnou esse argumento. Em um momento de saturação digital, aceleração da IA e enfraquecimento da confiança online, o festival confirmou que o valor do ao vivo está crescendo, não apenas como formato de entretenimento, mas como espaço de presença, comunidade, autenticidade e experiência cultural.

Um dos temas que mais apareceu nas palestras foi a ideia de que as pessoas já não querem apenas consumir conteúdo. Elas querem participar. Querem viver, comentar, circular, se reconhecer, influenciar. No debate The Death of Passive Entertainment – A Future for Participants, essa mudança apareceu de forma muito clara. A conversa girou em torno da força das comunidades, do fandom e da necessidade de pertencimento. A ideia não é mais interromper uma audiência, mas criar condições para que ela se sinta parte da experiência. O entretenimento deixa de ser algo apenas assistido e passa a ser vivido.

Essa percepção apareceu também em uma das palestras mais importantes para mim no festival, The Present and Future of Live Experiences, com Julius Solaris. Ele diz que redescobrimos o valor do presencial e que é a conexão que está levando as pessoas aos eventos, e não o conteúdo. Essa formulação me marcou muito, porque ajuda a explicar o que está acontecendo agora. Em uma era de IA, deepfakes e baixa confiança no ambiente digital, o presencial volta a ganhar força como espaço de autenticidade, credibilidade e encontro real. Quanto mais o digital se torna excessivo, automatizado e manipulável, mais o ao vivo passa a ser percebido como um lugar de realidade. Julius também observa que as pessoas amam eventos e amam se encontrar ao vivo, e que os CMOs estão obcecados por eventos porque eles funcionam.

Outra ideia forte no SXSW foi a de que o valor do ao vivo não está só no palco. Está no ecossistema. Talvez essa tenha sido uma das coisas que eu mais senti no festival. O SXSW não se resume às palestras. Ele acontece nas filas, nas caminhadas, nos encontros improváveis, nos side events, nas ativações, nas conversas rápidas no meio do caminho. É aí que o festival revela sua dimensão mais IRL: não apenas no que é programado, mas no que acontece entre uma coisa e outra, no encontro, no deslocamento e na presença partilhada. Em muitos momentos, o mais interessante não estava apenas dentro da sala, mas também no intervalo entre uma coisa e outra. Talvez por isso uma das melhores maneiras de entender o SXSW não seja como agenda, mas como sistema de experiência.

Essa leitura conversa muito com outra palestra importante, Reality Hacked: Tech, Story, and the Future of Experience. Ali apareceu uma ideia que ficou na minha cabeça: “The future of storytelling is spatialized.” Ou seja, as experiências estão deixando de acontecer apenas em telas ou recintos fechados e passam a ocupar espaço, cidade, deslocamento, território. Isso fez muito sentido para mim dentro do próprio SXSW. O festival já funciona assim. Ele não é apenas programação formal. É uma experiência urbana espalhada, feita de camadas, trajetos, descobertas, encontros e contextos múltiplos. A cidade deixa de ser pano de fundo e passa a fazer parte da narrativa.

O futuro da experiência também apareceu no SXSW como algo mais sensorial, mais corporal e menos centrado apenas no visual. Em Sensory Storytelling: Using XR to Connect to the Body, esse ponto ficou muito claro. Foi uma palestra que me fez pensar bastante sobre o próximo passo dos eventos e das experiências ao vivo. A imersão do futuro talvez não seja apenas aquilo que o público vê. Talvez seja, cada vez mais, aquilo que ele sente. Uma experiência memorável não é só algo bonito ou impressionante. É algo que atravessa o corpo. Uma das frases que mais me marcou foi: “When a story is felt in the body, it becomes absolutely impossible to ignore.” Quando uma história é sentida no corpo, ela se torna impossível de ignorar. É uma frase forte, mas faz sentido. Há experiências que a gente entende. E há experiências que a gente sente. As segundas costumam marcar mais.

Ao mesmo tempo, o SXSW reforçou para mim uma outra dimensão do ao vivo: a do pertencimento. Em um mundo cada vez mais automatizado e mediado por interfaces, talvez o diferencial dos eventos ao vivo esteja justamente em criar presença significativa. No keynote de Jennifer B. Wallace, ela falou sobre mattering, essa sensação de que você importa, de que é visto, reconhecido e valorizado. Quando ouvi a frase “What we are really nostalgic for is mattering”, tive a sensação de que ela dava nome a algo que eu estava percebendo no festival inteiro. O que muita gente está buscando não é apenas conteúdo, mas a sensação de pertencer a algo, ainda que por algumas horas ou por alguns dias.

Nesse sentido, eventos ao vivo não são apenas plataformas de conteúdo. Eles podem funcionar como espaços de reconexão humana. Lugares onde as pessoas encontram presença, atenção, reconhecimento e uma espécie de comunidade temporária. O SXSW, para mim, foi isso o tempo todo: não apenas uma agenda intensa, mas um contexto social, cultural e emocional em que a sensação de participar de algo maior fazia parte da experiência.

Talvez por isso a fala de Steven Spielberg também tenha ressoado tanto. Quando ele disse que existe um impulso coletivo gerado por uma boa história que atinge todos nós ao mesmo tempo e que, ao final de uma grande experiência cinematográfica, estamos todos unidos, eu senti que aquela observação sobre cinema servia também para o festival como um todo. Pessoas muito diferentes, vindas de lugares e repertórios muito distintos, ainda podem partilhar uma mesma experiência estética, emocional e cultural. E isso, hoje, tem um valor enorme.

No fim, a sensação de estar em Austin durante o SXSW me deixou impregnado por algo que toda boa experiência ao vivo deveria provocar: emoção, memória, conexão, presença. Mais do que conteúdo, o que ficou foi a sensação de ter vivido algo. E talvez esse seja o ponto principal. O SXSW 2026 mostrou que, em um mundo cada vez mais mediado por telas, algoritmos e inteligências artificiais, o valor do ao vivo não diminui. Ele se redefine e cresce. Porque o que está em jogo já não é apenas assistir, mas estar.

Eu fui para estudar eventos ao vivo. Saí de lá com a sensação de que o próprio SXSW era, na prática, o melhor estudo de caso possível. E acho que eu também fui picado.

Artigo publicado no Tela Viva.

A volta do entretenimento como experiência coletiva

Em meio à fragmentação digital, cresce a busca por pertencimento via entretenimento e comunidades

A volta do entretenimento como experiência coletiva
Vanessa Costa Diretora de Marketing e Comunicação

Depois de duas décadas trabalhando com entretenimento, conteúdo e construção de marcas, existe uma pergunta que sempre volta para mim: o que realmente faz as pessoas se conectarem?

Durante muito tempo, a indústria acompanhou de perto os grandes números: audiência, alcance e distribuição. Esses indicadores continuam sendo parte importante da forma como o setor mede desempenho. Porém, ao longo da minha trajetória no mercado, também comecei a observar outro movimento: quando uma história consegue formar uma comunidade ao seu redor, a relação do público com esse conteúdo se torna mais profunda.

Na prática, isso aparece no comportamento desse público. E quando isso acontece, o papel da audiência muda: não são apenas pessoas assistindo, mas pessoas que querem participar, comentar, defender, compartilhar e fazer aquele conteúdo continuar vivo.

Começo esta semana no South by Southwest com essa pergunta em mente. Porque, fica cada vez mais claro que estamos vivendo um momento de transformação na forma como o público se relaciona com o entretenimento.

Mais do que audiência, estamos falando de pertencimento.

Quando uma audiência começa a se transformar em comunidade, a relação com o entretenimento tende a ir além do consumo pontual e se tornar mais contínua. E isso também abre espaço para novas possibilidades de negócio dentro da indústria.

O conteúdo passa a se expandir para além do momento da exibição, ganhando desdobramentos em diferentes formatos, como experiências ao vivo, extensões digitais, interações com o público e modelos de monetização que vão além da publicidade tradicional.

Foi com essa curiosidade que vim ao SXSW: para entender como essa transição está sendo discutida e construída globalmente. O evento reúne diferentes visões sobre o futuro do entretenimento, que se torna cada vez mais transmídia, participativo e culturalmente relevante.

Para marcas, produtoras de conteúdo e criadores, a oportunidade está em construir universos onde o público não apenas assiste, mas quer fazer parte, vivenciar.

No fim, talvez a pergunta estratégica esteja mudando. Durante muito tempo questionamos: quantas pessoas assistiram?

Agora, cada vez mais, a pergunta passa a ser: quantas pessoas querem voltar? Porque é nesse espaço — entre conteúdo, experiência e comunidade — que os negócios do entretenimento estão evoluindo.

Artigo publicado no Meio & Mensagem.

Endemol e Fábrica criam projeto de novelas verticais

Produtoras se unem para projetos de produção, desenvolvimento e criação de microdramas

Luiz Noronha, diretor executivo de A Fábrica e Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil (Crédito: Divulgação)

A Endemol Shine Brasil se une à produtora Fábrica para a produção de microdramas em formato vertical.

Pelo acordo, a Endemol ficará responsável pela produção executiva dos projetos, bem como a liderança das negociações com marcas e plataformas. Já a Fábrica ficará com a criação e desenvolvimento dos roteiros de ficção.

A proposta das duas empresas é aproveitar o interesse pelas novelinhas verticais, que já vêm demandando investimento de players como Globo, Play9, YouTube e outros.

A Endemol Shine Brasil já havia trabalhado com microdramas nos anos de 2023 e 2024, quando a empresa foi parceira do Kwai no desenvolvimento de novelinhas.

Na época, foram parceiras comerciais da iniciativa as marcas Sorriso, Tang, Honda, Skol, Coca-Cola, Devassa, MRV e Cheetos.

A empresa também é parceira da Meta para a criação de novelas verticais.

Além do novo acordo, a Endemol Shine Brasil é parceira da Fábrica na criação de outras duas novelas verticais para o Globoplay.

Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil, diz que o investimento em microdrama é uma tendência clara do mercado.

“O consumo aponta cada vez mais para projetos dinâmicos e de curta duração, e nosso foco é ampliar a produção de novelas verticais sem abrir mão da qualidade e da agilidade, que são marcas da Endemol Shine Brasil”.

Luiz Noronha, diretor executivo da Fábrica, afirma que a verticalização da dramaturgia é uma resposta direta à transformação do consumo audiovisual.

“O formato exige linguagem própria e construção sólida de histórias. Ao unir nossa expertise em ficção à inteligência de mercado da Endemol Shine Brasil, estruturamos o microdrama como um pilar estratégico dentro da A Fábrica”, completa.

Matéria publicada em Meio & Mensagem.

 

Endemol Shine Brasil expande sua atuação em entretenimento ao vivo e experiências imersivas

Restaurante MasterChef – The TV Experience (Foto: 134 Office/ Divulgação)

A Endemol Shine Brasil é uma divisão da Banijay Entertainment, o maior conglomerado de produção e distribuição de conteúdo independente do mundo. Para além de criar, licenciar e produzir reality shows, game e talent shows, factuais e documentários para diferentes clientes e plataformas, tendo em seu catálogo sucessos nacionais e mundiais, como “MasterChef Brasil”, “Canta Comigo” e o premiado com o Emmy Internacional “The Bridge Brasil”, a empresa é também responsável por entregar serviços de produção para formatos como “The Masked Singer Brasil” e “Casamento às Cegas Brasil”. Parceira das principais agências de publicidade, cria e produz formatos de branded content, é também especializada em licenciamento de marcas e em iniciativas digitais e, recentemente, tem expandido sua atuação em entretenimento ao vivo e experiências imersivas.

Em entrevista exclusiva para TELA VIVA, Fernanda Abreu, Vice Presidente de Entretenimento ao vivo, Licenciamento e Marketing de Influência na Endemol Shine Brasil, falou sobre essa divisão em diferentes frentes e explicou que, na empresa, o conteúdo é visto como ponto de partida de um ecossistema muito maior de relacionamento com o público. “A televisão, o streaming e as plataformas digitais são onde as histórias nascem e onde as marcas ganham relevância, mas o nosso trabalho vai além da tela. Quando pensamos em licenciamento de produtos, experiências ao vivo ou ativações de marca, estamos na verdade ampliando a vida daquele conteúdo. É uma forma de transformar uma narrativa em algo que as pessoas podem viver, consumir, experimentar e levar para o seu dia a dia”, avalia.

Fernanda Abreu
Fernanda Abreu, Vice Presidente de Entretenimento ao vivo, Licenciamento e Marketing de Influência na Endemol Shine Brasil

Na visão da executiva, essa dinâmica cria um ciclo muito poderoso: o conteúdo gera conexão emocional, essa conexão se traduz em produtos, eventos e experiências que aproximam ainda mais o público da marca, e isso, por sua vez, retroalimenta o valor do próprio conteúdo. “Além de fortalecer o relacionamento com a audiência, essas extensões também criam novas fontes de receita e tornam as marcas muito mais longevas. No fim do dia, estamos falando de transformar programas de sucesso em universos de marca que vivem em diferentes plataformas e momentos da vida do público”.

 

Do ponto de vista do negócio, isso também torna-se extremamente valioso. “Quando uma pessoa participa de uma experiência ligada a uma marca que ela gosta, o vínculo emocional se torna muito mais profundo. Aquilo deixa de ser apenas um conteúdo que ela consome e passa a ser algo que ela vive“, analisa a executiva. “Existe inclusive uma dimensão muito interessante do ponto de vista comportamental e até da neurociência: experiências sensoriais e emocionais ativam memórias mais duradouras. Por isso, eventos, espetáculos e experiências imersivas têm um poder enorme de fortalecer comunidades de fãs e criar lembranças positivas associadas à marca”, completa.

Entretenimento ao vivo e experiências

restaurante MasterChef – The TV Experience, inaugurado em Sorocaba, no interior de São Paulo, no início deste ano, é um exemplo dessa estratégia. Com mais de mil metros quadrados e capacidade para mais de 200 pessoas, a casa funciona como uma espécie de centro de experiências, e reúne elementos do cenário da competição, como o mercado, o mezanino, o grande relógio e a bancada central, além do logo do programa espalhado nos detalhes e, claro, televisões exibindo cenas do reality. “‘MasterChef é uma marca extremamente forte, que já faz parte da cultura e da rotina de muitas pessoas. E a gastronomia é, por natureza, algo sensorial e emocional, então levar essa experiência para um espaço físico é uma forma muito natural de aprofundar a conexão com os fãs”, entende Fernanda.

Para ela, o público que frequenta o restaurante não está apenas assistindo ao programa, e sim vivendo o universo da marca. Desde o ambiente até o menu, tudo busca traduzir o espírito do “MasterChef”. “Esse tipo de iniciativa amplia o alcance da marca, cria novas formas de interação com a comunidade de fãs e também gera um modelo de negócio sustentável, porque transforma um sucesso de audiência em uma experiência que continua ativa no dia a dia das pessoas”.

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Outro case de sucesso é o Luminiscence – Luzes de São Paulo, espetáculo imersivo que combina projeções de luz com trilha sonora sinfônica – interpretada por orquestra e coro ao vivo – transformando monumentos históricos em verdadeiros palcos de arte. No Brasil, a atração ocupa um dos marcos mais icônicos do centro da cidade: a Catedral da Sé. A Endemol Shine Brasil é a empresa responsável por trazer o espetáculo ao país.

“O Luminiscence nasce da vontade de criar experiências que conectem arte, tecnologia e emoção em um formato imersivo. Hoje, o público busca cada vez mais experiências que tragam encantamento, que estimulem os sentidos e que proporcionem momentos de bem-estar e contemplação. O espetáculo trabalha exatamente nessa intersecção entre música, luz, narrativa visual, história, cultura e arquitetura. A ideia é criar uma experiência sensorial completa, capaz de gerar impacto emocional e também um momento de pausa, de conexão com o belo e com a emoção. Ele ativa muitas camadas de sensações”, afirma Fernanda, que acrescenta: “Esse tipo de projeto reflete muito uma tendência atual do entretenimento: conteúdos que vão além da narrativa tradicional e que convidam o público a sentir, viver e compartilhar aquela experiência”.

Licenciamento de produtos

A Endemol também tem uma lista extensa de produtos licenciados – a empresa trabalha muitas marcas e o processo começa sempre pela força de cada uma e pelo tipo de conexão que ela tem com o público. Internamente, o caminho para começar um novo licenciamento passa pelo entendimento de qual e como o conteúdo pode se transformar em produto. “Avaliamos fatores como relevância cultural, engajamento da audiência, potencial de comunidade e afinidade com determinadas categorias de consumo. A partir daí, buscamos parceiros que consigam traduzir a essência da marca em produtos que façam sentido para o público”, detalha.

Hoje, a Endemol está presente em diversas categorias, como alimentos, utensílios, editorial, games, editorial, brinquedos, experiências gastronômicas, entre outras. Para Fernanda, o mais importante é que o produto seja um item além do logo estampado, que realmente expanda o universo da marca e entregue valor para quem consome.

Histórica e culturalmente, o licenciamento sempre teve uma presença muito forte no universo infantil, principalmente porque o vínculo entre crianças e personagens é lúdico e emocional. Quando a criança se identifica com aquele universo, o produto passa a ser uma extensão natural daquela história, e isso cria um potencial de conexão e consumo. Mas, hoje, a Endemol enxerga o licenciamento de forma muito mais ampla. “Ele pode nascer a partir de qualquer tipo de conteúdo ou marca – de entretenimento, games, esportes, marcas corporativas, universidades e propriedades culturais, entre outras – e dialogar com públicos de diferentes idades”, pontua a VP.

No caso do entretenimento, por exemplo, muitas vezes o licenciamento conversa também com a memória afetiva. “Adultos gostam de consumir produtos ligados a marcas que fizeram parte da sua história, da sua infância ou de momentos importantes da vida. Isso cria uma conexão muito forte. Por isso, o mais importante não é apenas a idade do público, mas o tipo de relação que ele tem com aquela marca. Quando existe identificação, comunidade e significado, o licenciamento se torna uma forma poderosa de manter essa conexão viva no cotidiano das pessoas”, ressalta.

Mas, ainda pensando no público infantil, ele é ainda mais sensível nos dias de hoje. Se antigamente já existiam leis e imposições para regular a publicidade direcionada à essa audiência, elas se tornam ainda mais relevantes no contexto atual, onde crianças são bombardeadas por conteúdos, informações e novidades o tempo todo. Nesse cenário, é ainda mais desafiador criar experiências que agreguem valor e sejam criativas.

Para Fernanda, esse é um ponto muito importante, uma vez que, num cenário de excesso de estímulos, a responsabilidade das marcas e produtoras de conteúdo se torna ainda maior. “Nosso foco é criar experiências que sejam positivas, criativas e que contribuam para o desenvolvimento emocional e social das crianças. Isso passa por pensar em conteúdo de qualidade, experiências interativas, estímulos à imaginação e momentos de convivência familiar. A ideia é que as experiências tenham significado e não sejam apenas mais um estímulo passageiro em meio a tantos outros”.

Tendências e futuro

De modo geral, as produtoras de conteúdo estão cada vez mais entendendo a importância de ampliar seus meios de atuação e ir além da produção por si só – algo que a Endemol já faz há bastante tempo. Fernanda corrobora com a ideia de que o futuro do entretenimento está cada vez mais ligado à construção de universos de marca. “Conteúdos que conseguem criar comunidades fortes tendem a se expandir para diferentes formatos: experiências ao vivo, produtos, eventos, ativações imersivas, espaços físicos e até novos modelos digitais. Outra tendência muito clara é o crescimento das experiências sensoriais e imersivas. O público quer viver histórias, não apenas assisti-las”, defende. “Além disso, vemos cada vez mais a convergência entre entretenimento, bem-estar e emoção. As experiências que conseguem gerar impacto emocional positivo e criar memórias duradouras têm um valor enorme tanto para o público quanto para as marcas”, completa.

Especificamente no horizonte da Endemol, o foco é continuar expandindo o potencial das suas marcas de forma estratégia, criando experiências, produtos e parcerias que ampliem o relacionamento com o público. “A Endemol tem um portfólio muito forte de conteúdos e formatos globais, marcas parceiras com muita relevância, e o nosso objetivo é seguir explorando novas formas de transformar essas propriedades em experiências relevantes para as pessoas – isso inclui desde novas iniciativas de licenciamento até projetos de entretenimento ao vivo, experiências imersivas e colaborações com parceiros de diferentes setores. Acreditamos muito no poder das marcas que conseguem gerar emoção, criar comunidade e fazer parte da vida das pessoas. É nesse território que queremos continuar inovando e crescendo”, finaliza a executiva.

Matéria publicada em Tela Viva News.

 

 

Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil, destaca atuação da empresa para além da produção de conteúdo

Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil e da Banijay Estúdio (Foto: Divulgação)

Nesta quarta-feira, dia 21 de janeiro, Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil – parte da Banijay Américas – participa de um painel no Content Americas 2026, onde irá discutir a força regional da Banijay Entertainment e seu impacto global na América Latina.

Com mediação de Pina Mezzera, editora da C21 Media, Nani estará ao lado de Ben Samek, CEO da Banijay Americas; Laurens Drillich, Presidente da Endemol Shine Latino; Alejandro Rincon, CEO da Endemol Shine Boomdog; e Luiz Noronha, CEO da A Fábrica & A Fábrica U.S. Hispanic.

Foco em experiências ao vivo

Nos últimos anos, a Endemol Shine Brasil tem ampliado sua atuação em experiências ao vivo, sensoriais e imersivas, como parte de uma estratégia global e coordenada de expansão criativa. Entre as iniciativas realizadas no país estão o “Banijay Apresenta”, projeto dedicado à realização de shows, festivais e eventos, na Banijay Estúdios; “LUMINISCENCE – Luzes de São Paulo”, espetáculo imersivo apresentado na Catedral da Sé, que já impactou mais de um milhão de pessoas em países como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha e Estados Unidos; e o “MasterChef – The TV Experience”, restaurante recentemente inaugurado no interior de São Paulo que transporta o público para dentro do universo do reality.

Na Endemol Shine Brasil, nosso papel vai muito além da produção de conteúdo. Vivemos hoje um momento consistente de expansão do nosso negócio no entretenimento ao vivo, sempre com o foco em criar iniciativas que gerem conexão real com a audiência. Atuamos de forma integrada na TV, no streaming e no digital, e estamos ampliando nossos formatos para além das telas por meio de produtos licenciados, eventos e experiências imersivas, em alinhamento com estratégia global de Banijay”, detalha Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil.

Meio digital

A Banijay Entertainment abriga ainda múltiplos projetos focados no meio digital, como o “Creators Lab”, lançado na França com potencial global; o “FCF”, o primeiro clube de futebol na Holanda construído em torno de renomados criadores de conteúdo digital; e o “Big Brother Knossi”, uma iniciativa em formato reduzido que acompanhou a final do “Celebrity Big Brother” e apresentou Knossi ao lado de outros influenciadores alemães interagindo com espectadores via Twitch. Outros exemplos incluem o “Let’s Play Ball”, um formato nativo digital da EndemolShine Nederlands, e o “MasterChef Creators”, da Endemol Shine Brasil, que expande o universo “MasterChef” por meio de conteúdo focado em criadores.

Isso se soma à Banijay Live, um hub global de entretenimento fora de casa (out-of-home), que cria experiências imersivas para expandir as marcas da Banijay Entertainment para além das telas e em ambientes físicos ao vivo. O negócio engloba o Balich Wonder Studio, a Luminiscence-creator LOCHI e o Banijay Live Studios.

Matéria completa publicada no Tela Viva.

Matéria em inglês publicada no Prensario Internacional.

Falsa saturação

O mercado de entretenimento está em expansão e mais próximo do público do que nunca

Foto do perfil de Fernanda Abreu
Fernanda Abreu – Vice-presidente de licenciamento da Endemol Shine Brasil

Nos últimos meses, surgiram conversas sobre uma possível saturação no mercado de entretenimento. Comentam que shows, festivais e experiências – tanto ao vivo quanto no digital – não teriam mais o mesmo interesse do público.

Mas basta observar o cenário à nossa volta para perceber que a realidade é exatamente o oposto: eventos lotados, agendas cada vez mais cheias e um público aberto para viver cada vez mais experiências.

O entretenimento não está enfraquecendo. Ele está evoluindo — e essa evolução tem aberto novas oportunidades estratégicas para marcas, criadores e empresas que desejam crescer nesse ecossistema.
Um público mais curioso, engajado e aberto.

Nunca houve tanta busca por experiências. As pessoas querem viver algo novo, autêntico, sensorial. Elas querem música, esporte, gastronomia, arte, cultura — e, cada vez mais, querem esses universos conectados.

Nas redes sociais, cada estreia se transforma em conversa, compartilhamento e engajamento.

O público está presente, ativo e disposto a participar. Esse comportamento reforça algo essencial: o entretenimento se tornou parte do estilo de vida contemporâneo.

Os números confirmam o potencial desta indústria. Segundo a PwC/Live Entertainment, o Brasil já é o segundo maior mercado de shows do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

A presença constante de grandes artistas internacionais nos últimos anos evidencia o protagonismo do país no setor – e os artistas nacionais em crescimento e sempre em conexão com o público.

Turnês, conteúdos, ações especiais e ativações inéditas mostram que o mercado brasileiro desperta interesse — e que marcas, criadores e produtoras têm diante de si um terreno fértil para inovação e crescimento.

Existe um lugar mais aberto para eventos que conectem propósito, identidade e emoção. Querem se enxergar na experiência — e levar algo dela consigo.

Essa mudança, longe de ser um problema, representa uma oportunidade gigantesca para quem cria, produz e desenvolve marcas. Tratar o público como protagonista.

Marcas que entendem isso criam conexões mais fortes, constroem comunidades, geram desejo e ampliam sua relevância cultural.

Quando o entretenimento entra em cena, ele potencializa narrativas, ativa emoções e transforma conteúdo em memória — exatamente onde está o maior valor estratégico de hoje.

Para empresas como a nossa, que sempre uniram conteúdo, criatividade, storytelling e inovação, expandir nossa atuação em experiências era um caminho natural.

O entretenimento está vivo — e crescendo.

Estamos vivendo uma fase vibrante, dinâmica e cheia de possibilidades. Está em movimento acelerado, e quem souber ler esse momento encontrará oportunidades reais de expansão, relevância e impacto.