19 de dezembro de 2025 | Institucional
O ano de 2025 no audiovisual pela visão das mulheres produtoras

O ano de 2025 foi de altos de baixos no setor audiovisual. O início foi promissor, com a conquista inédita do Oscar para o cinema brasileiro com “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, eleito o Melhor Filme Internacional na maior premiação do cinema mundial depois de ter conquistado diversos outros prêmios em festivais no Brasil e no mundo. Os filmes produzidos aqui continuaram atraindo atenção global, com novas conquistas tanto em premiações quanto na crítica especializada. E, agora, o ano chega ao fim com um clima promissor no ar: “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, atingiu mais de um milhão de espectadores nas salas de cinema do país e está entre os pré-indicados ao Oscar de 2026. Ao que tudo indica, o audiovisual nacional seguirá se destacando na premiação.
O setor também viu com bons olhos a retomada de algumas políticas públicas e a reativação de editais, bem como o anúncio dos Arranjos Regionais para o próximo ano. Mas, mesmo com todos os esforços – é nítido que há neste Governo uma boa intenção de fazer acontecer – o mercado chega em dezembro sentindo falta de resultados mais concretos e expressivos. Além de, é claro, frustrado pela falta de regulamentação do VoD. A novela segue em 2026.
Entre os “baixos” do ano que passou, os produtores também sentiram falta de um calendário com previsibilidade de editais e linhas de investimento – promessa que havia sido feita por essa gestão do MinC. Em suma, apesar dos avanços, a sensação é de que falta um projeto estruturante, contínuo e verdadeiramente inclusivo, que garanta uma política audiovisual perene, previsível e tratada como estratégia de desenvolvimento.

Em 2025, o entretenimento foi muito além da tela. O público, atualmente, quer viver experiências completas, que conectem TV, streaming, redes sociais, produtos e eventos. Não basta ter um bom programa, é preciso criar um universo em torno dele, onde cada ponto de contato fortaleça a relação com quem acompanha.
Na América Latina, o mercado de entretenimento imersivo está estimado em US$ 13,07 bilhões em 2025, com crescimento projetado para US$ 42,41 bilhões até 2030. Essa visão de entretenimento 360º é o que vai diferenciar quem apenas entrega conteúdo de quem constrói experiências que realmente engajam.
Outro ponto essencial, que está diretamente conectado, é a criação de comunidades. Hoje, audiência não é só número, é pertencimento. As pessoas querem se sentir parte daquilo que assistem, querem conversar, compartilhar e se conectar com outras pessoas que gostam das mesmas coisas.
Membros de comunidades passam 5,3 vezes mais tempo consumindo e engajando. Por isso, não basta lançar um formato e esperar que ele funcione sozinho. É preciso alimentar essa comunidade com conteúdos exclusivos, interatividade e experiências que mantenham a conversa viva.
Olhando para o futuro, acredito que quem conseguir unir entretenimento 360º com estratégias de comunidade vai estar um passo à frente.
Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil (de São Paulo, SP)
Matéria completa publicada no Tela Viva.