Por que o Brasil ainda não se tornou um exportador de formatos de TV?

 

Allan Lico, vice-presidente de conteúdo Endemol Shine Brasil

Em menos de uma semana, a TV aberta do Brasil estreia versões nacionais de dois formatos criados no exterior. Na última terça-feira, a Globo lançou Chef de Alto Nível, adaptação do Next Level Chef, desenvolvido nos Estados Unidos. Já neste domingo, a Record exibe o primeiro episódio de Game dos 100, que nasceu originalmente na Bélgica, mas ganhou popularidade quando foi produzido pela TV britânica.

Desde o início dos anos 2000, os formatos estrangeiros tomaram conta da programação dos canais abertos e fechados do nosso país. Se a TV brasileira é referência mundial em ficção, o mesmo não acontece com programas de não ficção que envolvem competições em diferentes segmentos, como música ou gastronomia, formatos de confinamento ou sobrevivência e atrações focadas em relacionamentos e comportamento.

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Será que nossa indústria audiovisual tem criatividade e capacidade para superar essa barreira e emplacar com mais frequência formatos originais não só no mercado interno como também exportá-los? Para responder essa questão, a coluna conversou com profissionais que trabalham com formatos e entendem tudo sobre o tema.

Allan Lico, vice-presidente de conteúdo Endemol Shine Brasil.

Quando a TV aberta decide fazer um investimento em um novo programa, em geral, esse investimento é alto. Então, é melhor apostar em projetos que deram certo fora do Brasil, porque isso traz uma certa segurança para os canais. Por isso, temos tantos formatos internacionais adaptados no Brasil.

Há pouco espaço para o risco. A gente precisa ser mais corajoso e se permitir a errar. No Brasil, parece que somos obrigados a produzir um hit. Não aceitam que um programa tenha um desempenho OK. Tem que ser um mega sucesso. A Holanda se permite experimentar. Existe formato holandês que é uma competição de gente fazendo escultura de balão, aqui temos pouco espaço para experimentação.

Acho que a luz no fim do túnel para que a gente consiga desenvolver mais formatos brasileiros é a regulamentação do streaming. Quando você coloca a obrigação de produzir conteúdo original local, você abre o mercado para as produtoras independentes e incentiva a produção de formatos diversos. Com a regulamentação do streaming também precisa ocorrer uma maior abertura para criatividade e dar tempo para as ideias se desenvolverem.

“Recentemente, estava falando com parceiros americanos e eles contaram que ficam dois anos e meio para desenvolver uma ideia até que se torne um formato. Só então eles oferecem para canais e plataformas. Não temos esse tempo de desenvolvimento no Brasil, nem temos a cultura de investir em pilotos, o que ajuda a entender os pontos fortes e fracos de um formato.”

Artigo completo no Splash UOL.