Mulheres que fizeram da pausa um compromisso

Líderes compartilham os rituais que as ajudam a desacelerar e a exercer uma liderança mais equilibrada

Uma pesquisa da Asics com a King’s College London, chamada “Desk Break”, revelou que realizar apenas 15 minutos de pausa para se movimentar no meio de um dia de trabalho melhora em 22,5% o estado mental do profissional. Os pesquisadores, liderados pelo professor Dr. Brendon Stubbs, reuniram trabalhadores de 16 países que costumam passar muito tempo no ofício para um experimento. Após três ou quatro horas de trabalho sem intervalos, eles precisavam fazer 15 minutos de exercícios. E os resultados foram surpreendentes.

O estudo indicou que fazer uma pausa diária durante uma semana de trabalho reduziu os níveis de estresse em 14,7%, aumentou a produtividade em 33,2% e melhorou o foco em 28,6%. Além disso, houve uma melhora dos níveis médios de confiança em 13,3% e uma redução dos níveis de ansiedade em 12%. Com apenas 15 minutos. Mas a realidade é que muitas pessoas ainda passam horas a fio sentados na frente do computador trabalhando.

Já a pesquisa State of Mind, também da Asics, identificou que o estado mental das pessoas que não se exercitam no Brasil é de 55 pontos. Já as pessoas ativas fizeram 14 pontos acima, 69. As mulheres brasileiras têm uma média de 61 pontos e se exercitam, em média, 135 minutos por semana. Entre os homens, o índice de estado mental é de 68 e eles se exercitam uma média de 180 minutos.

Esses números revelam uma realidade das mulheres brasileiras. Mais sobrecarregadas, elas têm menos horas para se exercitar e estão com a saúde mental mais prejudicada. A pausa, muitas vezes, é praticamente impossível de se realizar em meio a uma rotina que equilibra trabalho, casa, família, e quando possível, amigos e lazer. O que deveríamos entender, no entanto, é que a pausa é tão essencial quanto o trabalho em si.

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Pausas para alimentar o espírito

Tempo com a família e suas origens também entram aqui como maneiras de relembrar quem se é por dentro. “Desacelero nos momentos que mais me conectam ao que realmente importa: o tempo com a minha filha e minha família, as viagens e, principalmente, o mar da Bahia, meu refúgio e minha fonte de inspiração. É diante dele que me reconecto com a minha espiritualidade, encontro paz, clareza e a energia necessária para viver e liderar melhor”, diz Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil.

Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil (Crédito: Divulgação)

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Matéria completa publicada no Meio & Mensagem.

 

A volta do entretenimento como experiência coletiva

Em meio à fragmentação digital, cresce a busca por pertencimento via entretenimento e comunidades

A volta do entretenimento como experiência coletiva
Vanessa Costa Diretora de Marketing e Comunicação

Depois de duas décadas trabalhando com entretenimento, conteúdo e construção de marcas, existe uma pergunta que sempre volta para mim: o que realmente faz as pessoas se conectarem?

Durante muito tempo, a indústria acompanhou de perto os grandes números: audiência, alcance e distribuição. Esses indicadores continuam sendo parte importante da forma como o setor mede desempenho. Porém, ao longo da minha trajetória no mercado, também comecei a observar outro movimento: quando uma história consegue formar uma comunidade ao seu redor, a relação do público com esse conteúdo se torna mais profunda.

Na prática, isso aparece no comportamento desse público. E quando isso acontece, o papel da audiência muda: não são apenas pessoas assistindo, mas pessoas que querem participar, comentar, defender, compartilhar e fazer aquele conteúdo continuar vivo.

Começo esta semana no South by Southwest com essa pergunta em mente. Porque, fica cada vez mais claro que estamos vivendo um momento de transformação na forma como o público se relaciona com o entretenimento.

Mais do que audiência, estamos falando de pertencimento.

Quando uma audiência começa a se transformar em comunidade, a relação com o entretenimento tende a ir além do consumo pontual e se tornar mais contínua. E isso também abre espaço para novas possibilidades de negócio dentro da indústria.

O conteúdo passa a se expandir para além do momento da exibição, ganhando desdobramentos em diferentes formatos, como experiências ao vivo, extensões digitais, interações com o público e modelos de monetização que vão além da publicidade tradicional.

Foi com essa curiosidade que vim ao SXSW: para entender como essa transição está sendo discutida e construída globalmente. O evento reúne diferentes visões sobre o futuro do entretenimento, que se torna cada vez mais transmídia, participativo e culturalmente relevante.

Para marcas, produtoras de conteúdo e criadores, a oportunidade está em construir universos onde o público não apenas assiste, mas quer fazer parte, vivenciar.

No fim, talvez a pergunta estratégica esteja mudando. Durante muito tempo questionamos: quantas pessoas assistiram?

Agora, cada vez mais, a pergunta passa a ser: quantas pessoas querem voltar? Porque é nesse espaço — entre conteúdo, experiência e comunidade — que os negócios do entretenimento estão evoluindo.

Artigo publicado no Meio & Mensagem.