Por meio da realização de eventos, clubes e encontros presenciais, empresas buscam transformar espectadores em participantes ativos de suas comunidades, ao mesmo tempo em que aproximam suas marcas e conteúdos do público brasileiro.
Experiências imersivas inspiradas em programas de televisão, espetáculos multimídia em espaços históricos e sessões de filmes seguidas de debates são alguns exemplos da maneira como empresas como a Endemol Shine Brasil — entre outras — vêm investindo em eventos presenciais para aproximar suas marcas e conteúdos do público. Essa estratégia ganhou força nos últimos anos com o crescimento da chamada “economia da experiência”, um conceito que prioriza a participação direta dos consumidores em atividades relacionadas a marcas, produtos e conteúdos. Sua relevância é tamanha que, segundo um estudo da Collinson International, a indústria mundial do entretenimento ao vivo estava avaliada em aproximadamente US$ 465,9 bilhões em 2024 e a previsão é que ultrapasse US$ 1,1 trilhão em 2032.
A Endemol Shine Brasil é uma das empresas que expandiram sua presença nesse segmento. A produtora brasileira vem investindo em experiências ao vivo, sensoriais e imersivas baseadas na estrutura e no conhecimento adquiridos na produção audiovisual. Entre seus projetos está o “Banijay Presents”, uma plataforma voltada para espetáculos, festivais e eventos realizados nos estúdios da companhia.
“O investimento em entretenimento ao vivo representa uma evolução natural do modelo de negócios da companhia. E, no Brasil, o cenário é bastante atrativo para investimentos”, afirmou Fernanda Abreu, VP de Entretenimento ao Vivo, Licenciamento e Marketing de Influenciadores da Endemol Shine Brasil, em entrevista ao veículo brasileiro Exame.
“Globalmente, a Banijay já vem fortalecendo a divisão Banijay Live como um braço estratégico de crescimento, ampliando o ciclo de vida das propriedades intelectuais e criando novas fontes de receita. No Brasil, vemos uma combinação muito favorável: marcas fortes, um público ávido por experiências presenciais e um mercado que amadureceu consideravelmente, valorizando encontros, cultura e eventos imersivos”, detalhou.
Outro produto da companhia é o “Luminiscence – Luzes de São Paulo”, um espetáculo imersivo apresentado na Catedral da Sé, com o qual a companhia celebra seu décimo aniversário. A atração já alcançou mais de um milhão de pessoas em países como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha e Estados Unidos antes de chegar ao Brasil.
A produtora também inaugurou o “MasterChef – The TV Experience”, um restaurante temático localizado no interior de São Paulo. O espaço reproduz elementos do reality show gastronômico e permite que os visitantes vivenciem referências do programa em um ambiente físico.
“Ao longo desses dez anos, fomos além da tela da televisão, criando conexões físicas e reais entre os fãs e suas histórias favoritas. O futuro do licenciamento na Endemol é multiplataforma, ágil e baseado em inovação constante. Estamos planejando os próximos anos para sermos ainda mais ousados, transformando novas marcas e personagens em experiências inesquecíveis e produtos que ditam tendências”, concluiu Abreu.
Matéria publicada em espanhol no Señal News.
CEO da Endemol Shine Brasil reflete sobre a demanda e o crescimento de conteúdo vertical no país, afirmando que a construção sólida de sua narrativa é o que garantirá a evolução do formato.

Há pouco mais de um mês, duas produtoras brasileiras que fazem parte do grupo Banijay Americas uniram forças para criar microdramas em formato vertical, voltados especificamente para o ecossistema mobile, plataformas digitais e projetos de marca. A Señal News conversou com Nani Freitas, CEO da Endemol Shine Brasil , que detalhou a aliança com a A Fábrica e definiu a estratégia de produção de conteúdo e construção narrativa para o formato vertical .
Após o acordo entre a Endemol Shine Brasil e a A Fábrica para a produção de microdramas verticais, qual estratégia será implementada para esse desenvolvimento?
– “Nossa estratégia consiste em estruturar uma produção contínua e escalável de microdramas verticais, concebida para o consumo em dispositivos móveis. A proposta é desenvolver séries nativas para telas verticais, com linguagem e ritmo próprios, em colaboração com as principais plataformas e marcas. Nosso objetivo é combinar a agilidade do modelo de produção com a qualidade narrativa para oferecer histórias curtas, dinâmicas e seriadas que se conectem aos novos hábitos de consumo.”
Qual será a contribuição de cada parte neste acordo?
– “A aliança foi concebida de forma complementar: a Endemol Shine Brasil assume a produção executiva dos projetos e lidera as negociações com marcas e plataformas, contribuindo com seu conhecimento de mercado, escalabilidade e experiência em entretenimento multiplataforma. A Fábrica fica responsável pela criação e desenvolvimento dos roteiros de ficção, aplicando sua experiência em dramaturgia para garantir histórias bem construídas e relevantes para este novo formato.”
Como você analisa a demanda e o crescimento do conteúdo vertical no Brasil?
– “A ascensão do conteúdo vertical no Brasil reflete diretamente um mercado com consumo cada vez mais focado em dispositivos móveis. O público busca histórias dinâmicas, envolventes e fáceis de acompanhar, que retratem o cotidiano. Essa tendência já está sendo abraçada pelos principais veículos e plataformas de mídia, reforçando o fato de que o investimento em microdramas é uma tendência crescente no consumo audiovisual do país.”
Como a experiência da Endemol Shine Brasil com a TeleKwai e conteúdo de marca contribui para fortalecer a nova proposta?
– “A experiência anterior com microdramas para a TeleKwai foi fundamental para a compreensão da lógica de produção, distribuição e participação no formato vertical. Além disso, o desempenho consistente da Endemol Shine Brasil em conteúdo de marca proporcionou importantes lições sobre a integração orgânica de marcas em narrativas sem comprometer o entretenimento. Esse repertório fortalece a aliança com A Fábrica, combinando dramaturgia com projetos viáveis e atraentes para o mercado publicitário.”
Quais são os principais aspectos para que a dramaturgia vertical adquira uma linguagem própria?
– “O fundamental é respeitar que o formato vertical não é uma adaptação da telenovela tradicional, mas sim uma nova linguagem. Isso implica episódios mais curtos, narrativas diretas, personagens com os quais o público se identifica e conflitos claros desde o início. Também é essencial considerar o ritmo, o enquadramento e o desenvolvimento da história para que faça sentido para quem a consome em seus celulares, muitas vezes em momentos fragmentados do dia. Além disso, definir as premissas que sustentam os orçamentos e os cronogramas de filmagem, como a quantidade e o tipo de locações e o número de dias de filmagem, é fundamental. A construção sólida da narrativa é o que garante que o formato evolua de uma tendência para um pilar consistente de conteúdo.”
Entrevista publicada em SeñalNews.