5 de junho de 2026 | Institucional

Do MasterChef ao Porta dos Fundos: a ‘economia da experiência’ chegou às telas — e vale US$ 465 bi

Endemol, Elo Studios e Porta dos Fundos investem em eventos, clubes e encontros ao vivo para transformar espectadores em participantes ativos de suas comunidades

Da tela para o mundo real: produtoras e marcas de entretenimento apostam em experiências presenciais para ampliar engajamento e novas fontes de receita. (Ilustração feita por IA/Exame)
Da tela para o mundo real: produtoras e marcas de entretenimento apostam em experiências presenciais para ampliar engajamento e novas fontes de receita. (Ilustração feita por IA/Exame)

Experiências imersivas inspiradas no reality de gastronomia MasterChef, espetáculos multimídia em espaços históricos e sessões de cinema acompanhadas por debates são alguns exemplos de como empresas como a Endemol Shine Brasil e a Elo Studios passaram a investir em ações presenciais para aproximar suas marcas e conteúdos do público.

O movimento acompanha uma tendência global que vem transformando a forma como o entretenimento se relaciona com suas audiências, levando experiências antes restritas às telas para espaços físicos e encontros presenciais.

A estratégia ganhou força nos últimos anos com a valorização da chamada “economia da experiência”, conceito que prioriza a participação direta do consumidor em atividades ligadas a marcas, produtos e conteúdos. No setor de entretenimento, a mudança tem impulsionado investimentos em atrações imersivas, eventos temáticos, festivais, encontros com fãs e ações exclusivas para comunidades de espectadores.

Os números ajudam a explicar o avanço desse mercado. A indústria global de entretenimento ao vivo foi avaliada em cerca de US$ 465,9 bilhões em 2024 e deve ultrapassar US$ 1,1 trilhão até 2032, segundo um levantamento da companhia de benefícios Collinson International. O crescimento é atribuído à retomada das atividades presenciais após a pandemia, ao aumento da procura por experiências físicas e à integração entre ambientes digitais e presenciais.

Empresas de mídia e produtoras passaram a enxergar essas iniciativas como uma extensão natural de suas propriedades intelectuais. Em vez de limitar a experiência ao consumo de um programa, filme ou conteúdo digital, a estratégia busca criar pontos de contato capazes de transformar espectadores em participantes ativos de uma comunidade.

A Endemol Shine Brasil é uma das companhias que ampliaram sua presença nesse segmento. A produtora tem apostado em experiências ao vivo, sensoriais e imersivas a partir da estrutura e do conhecimento adquiridos na produção audiovisual.

Entre os projetos está o “Banijay Apresenta”, plataforma voltada para shows, festivais e eventos realizados nos estúdios da empresa.

Segundo Fernanda Abreu, Vice-presidente de Entretenimento ao vivo, Licenciamento e Marketing de Influência da Endemol Shine, a aposta no entretenimento ao vivo representa uma evolução natural do modelo de negócio da companhia. E no Brasil, o cenário é bastante atrativo para investimentos.

LUMINISCENCE – Luzes de São Paulo: espetáculo imersivo realizado na Catedral da Sé (Divulgação)

“A Banijay, globalmente, já vem fortalecendo a divisão Banijay Live como um braço estratégico de crescimento, ampliando o ciclo de vida das propriedades intelectuais e criando novas fontes de receita”, explica a executiva em entrevista à EXAME. “No país, enxergamos uma combinação muito favorável: marcas fortes, um público ávido por experiências presenciais e um mercado que amadureceu bastante, valorizando encontros, cultura e eventos imersivos”.

Outro produto da companhia é o LUMINISCENCE – Luzes de São Paulo, espetáculo imersivo realizado na Catedral da Sé. A atração já alcançou mais de um milhão de pessoas em países como França, Alemanha, Holanda, Bélgica, Espanha e Estados Unidos antes de chegar ao Brasil.

A empresa também inaugurou o MasterChef – The TV Experience, restaurante temático localizado no interior paulista. O espaço reproduz elementos do reality culinário e permite que os visitantes vivenciem referências do programa em um ambiente físico.

“O que nos chama atenção é a qualidade da conexão com o público. São experiências que geram pertencimento, compartilhamento orgânico, desejo de repetição. O entretenimento ao vivo tem essa força: ele cria memória. E memória é um ativo poderosíssimo para qualquer marca. Percebemos também uma receptividade muito positiva do mercado e dos parceiros comerciais, que enxergam nessas iniciativas uma forma sofisticada e emocional de se conectar com seus consumidores”.

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Matéria completa publicada na Exame.